Zézito, o meu amigo de infância
E porque a vida não é só coisas boas, e porque não é por não falarmos de coisas menos boas que elas deixam de existir, hoje depois de tanto tempo vou falar de ti...
Zézito, o meu amigo de infância, aquele que eu tinha como um irmão, que tinha paciência para a minha infantilidade, que brincava comigo sempre, aquele que de tão pequeno em tamanho era o maior de nós todos...
Partilhámos tanta coisa juntos, naquela infância na casa dos meus avós e na casa dele, não me queria ver a fumar, mas fumava, não me queria ver a beber, mas bebia, e eu só muito depois percebi que ele queria o melhor para mim, assim como eu sempre quis o melhor para ele...
Ainda me lembro da última vez que o vi, no seu Ibiza a fumar...foi a última vez que falei com ele, com o meu Zé, amigo do seu amigo, inteligente, humilde, cheio de personalidade, adorado por todos...
Recebi a notícia por telefone, levei um murro no estômago tão grande que não tive reação, não podia ser verdade...
Não me despedi de ti, não dei um abraço na tua mãe, não revi os nossos amigos no teu último adeus e talvez por isso nunca tenha feito o luto da tua perda...
Quando ontem me procurei por fotos antigas, encontrei esta que tirei num dia de Páscoa em casa do também nosso Duarte Querido e é esta foto que me faz lembrar tudo aquilo que não te disse e tudo aquilo que vivemos juntos.
Que sorte tive eu de ter um amigo como tu, tu eras a pessoa mais forte que conheci, nunca imaginei perder-te para aquilo que mais abomino na vida, queria estar lá, queria ajudar-te, queria evitar que acabasses com a tua vida...queria chamar-te e ver-te...
Não há como mudar a vida, não há como superar estas perdas, mas há como te recordar sempre...
A maior certeza que fica é que um dia lá onde tu estás, nos vamos encontrar e aí vai haver cerveja e cigarros de certeza, vou dar-te um abraço e dizer o quanto ainda gosto de ti...
Da tua amiga que não te esquece nunca...

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